Webséries e suas possibilidades ilimitadas | Spoilers

Webséries e suas possibilidades ilimitadas

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A websérie sempre foi para mim um formato especial, livre das restrições e exigências de emissoras, trabalhando com durações menores (episódios em torno de 10 minutos) e com uma resposta de público mais imediata. Existem muitas webséries escondidas por aí, mas escolhi quatro, muito diferentes entre si e que ilustram bem as possibilidades desse formato.

Os primeiros experimentos no campo das séries para internet foram iniciados no final da década de 1980, atingindo grande repercussão em 1995 com a websérie The Spot. Mantida por assinantes, The Spot acabou se tornando mais que uma simples exibição de episódios, mas também uma das primeiras a utilizar o recurso transmídia. As histórias se passavam em Santa Mônica, Califórnia, com um grupo de 5 jovens que alugavam os quartos de uma casa. No site, além de ver os episódios, os fãs podiam interagir com os personagens, chamados de Spotmates. Os Spotmates mantinham diários online, com fotos, vídeos curtos, em um formato parecido com os blogs de hoje em dia.

Com a criação do Youtube em 2005, a websérie se tornou novamente popular, possibilitando a exibição de vídeos por qualquer um que tivesse acesso à internet. As séries online passaram a ter status independente, com a possibilidade de grande veiculação pelo número crescente de usuários do Youtube. Tinha tudo para dar certo e deu.

Em 2010 foi feita a primeira postagem de Bite Me, uma websérie sobre zumbis, com 10 a 15 minutos por episódio. O roteiro acompanhava três nerds usando todos seus conhecimentos adquiridos em games para sobreviverem a uma infestação de zumbis. Apesar das várias cenas de ação, a empreitada era uma série cômica. Sua segunda temporada se encerrou em 2012, mas o canal continua com mais de 55 mil assinantes.

Provando que os grandes também podem se aventurar pelo formato, Joss Whedon – criador das séries Buffy a Caça Vampiros, Firefly e Angel – também produziu uma websérie que ganhou grande repercussão. Dr. Horrible’s Sing-along Blog (2008) é um musical tragicômico, estrelado por Neil Patrick Harris, Nathan Fillion e Felicia Day. Dividida em três atos, conta a história de um vilão, Dr. Horrible, seu arqui-inimigo Captain Hammer, e Penny, a garota por quem os dois se apaixonam. No twitter da série eles se descrevem como:

“The story of a low-rent super-villain, the hero who keeps beating him up, and the cute girl from the laundromat he’s too shy to talk to.”

A história é ótima, daquelas em que se torce pelo vilão e odeia o herói. A trilha sonora faz referência aos musicais da Broadway, sendo parte da narrativa. Joss produziu Dr. Horrible com suas próprias economias, a ajuda de seus irmãos Zack e Jed, e convidando amigos para atuar. E mesmo com baixo orçamento, ganhou sete Emmys em 2009.  Tanto o público quanto a crítica  receberam Dr. Horrible com entusiasmo, garantindo que a produção se pagasse graças as vendas da trilha sonora.

Mas as webséries não são só feitas de maneira independente, sem contato com as grandes emissoras. É o caso de The Booth at The End (2011), uma websérie do FX, que só teve duas temporadas somando um total de 10 episódios, produzida experimentalmente para a internet.  A série tinha renovação da terceira temporada garantida para 2012, mas nada foi confirmado.

Em The Booth at the End, os personagens se encontram com um homem, “The Man” (o sempre excelente Xander Berkeley), em uma cafeteria para pedirem pequenos favores. Concordando em atendê-los, “The Man” exige sempre algo em troca: os “pedintes” têm que cumprir tarefas estranhas, às vezes criminosas, e voltar para descrever tudo em detalhes. Os encontros sempre começam com a malfadada pergunta: até onde você iria para conseguir o que quer? Cada episódio narra a história de um personagem e com o desenvolvimento da série percebemos o quanto suas narrativas se entrelaçam, dependendo umas das outras.

Para quem tem pouco menos de 10 minutos sobrando, existem muitas outras webséries na rede. Apesar do baixo orçamento ou da produção considerada amadora, as séries feitas para a internet vieram para impressionar, seja em qualidade técnica ou em narrativa. E, cada vez mais, vale a pena investir tempo nelas.