Caroline Forbes foi a verdadeira heroína de The Vampire Diaries | Spoilers

Caroline Forbes foi a verdadeira heroína de The Vampire Diaries

Este texto contém detalhes da series finale de The Vampire Diaries e toda sua trajetória

Ao longo dos meus 32 anos, pelos menos desde os 13 adoro uma história de vampiro. Sim, sou fã de Anne Rice o suficiente para ter gasto 25 dólares no tour por Nova Orleans que passa pela casas onde Lestat e Louis moraram segundo a lenda. Tudo culpa do filme “Entrevista com o Vampiro”, que tinha quatro atores gatos que toda adolescente dos anos 1990 amava. De certa forma sempre resisti a séries de vampiros, mas uma hora não me seguro e caio de cabeça nelas. Vocês acompanharam minha saga em True Blood. Depois veio The Vampire Diaries e agora, como comentei no podcast sobre séries adolescentes, estou finalmente vendo Buffy.

Mas o post hoje é sobre The Vampire Diaries, que acabou neste mês de março, depois de oito anos no ar, e que eu comecei acompanhar em 2015 logo após o Denis publicar esse texto sobre a morte na série. Fiquei curiosa e lá fui eu encarar uma maratona enlouquecedora até alcançar a série na TV em sua sexta temporada. Foi nessa jornada que eu percebi o quanto The Vampire Diaries, que como disse o Denis “nunca foi uma série sutil em suas metáforas” subverteu dois elementos básicos que sustentavam um romance sobre vampiros seja na TV, nos filmes e nos livros: as vampiras e a eternidade em si.

Quando assisti à finale na série, eu pulava de felicidade. Não porque a Elena finalmente ficou com o Damon, não só porque Bonnie salvou o mundo de novo. Mas porque Caroline Forbes foi a única a ter a vida eterna e essa eternidade não foi a imortalidade cheia de sofrimento, morte e horror que TODOS OS VAMPIROS dizem que estão condenados a viver.

Caroline Forbes: a amiga competitiva, perfeccionista e meio tonta. Que foi abusada pelo Damon no começo da série – se vocês não lembram, eu lembro. Damon hipnotizou ela e dormiu com ela várias vezes para provocar Elena e Stefan e aquilo nunca me desceu direito, por mais que eu fosse doida pelo Damon. Caroline que trocou de namorado inúmeras vezes, brigava com a mãe e era uma adolescente bem difícil de aturar para todo mundo que apenas estava focado no romance Elena e os Salvatores. Até que ela sofreu um acidente, Damon a salvou com sangue de vampiro e Katherine Pierce a transformou em vampira enquanto ela estava num coma. Transformada em vampiro para ser oferecida para Klaus como um sacrifício. Sim, Caroline foi tratada como um objeto até se tornar uma vampira.

Você lembra disso? Eu lembro e detesto

Ao ser transformada contra a sua vontade, Caroline teve que enfrentar todos os seus defeitos humanos que estavam amplificados, aceitar, controlar e atender todos os seus desejos e abraçar sua monstruosidade. E aí Caroline cresceu.

Doeu em todos nós também, Caroline.

Veja bem, todas as personagem vampiras, ao se transformarem, se rebelam. Cortam raízes com famílias, somem no mundo, ou vivem apenas para seus parceiros vampiros ou para morrerem. Gabrielle, Lilly Salvatore, Tara, Cami, Bella, etc, etc. Caroline foi a primeira que, ao se tornar uma vampira, correu para solidificar tudo que a tornava humana: a relação com a mãe – e com o pai que a torturou, finalmente rompendo laços com um pai que sempre foi péssimo – as amizades, suas ambições: faculdade, carreira.

Mesmo ao ter estabelecido tudo isso, Caroline Forbes foi além do que todas as personagens vampiras escritas na cultura pop. Após perder a sua mãe – que claramente a deixou muito orgulhosa de sua filha-agora-vampira – ela mesma conseguiu ser mãe, ficando grávida magicamente em um dos episódios mais sangrentos da série. No fato de todo um grupo de bruxos prestes a serem extintos ter escolhido ela, entre todas as demais mulheres presentes, ficou claro o reconhecimento de que ela ser vampira nunca a faria deixar de ser uma mulher plena (sorry o uso no meme, mas no caso aqui é a aplicação correta). Na sua fase grávida, uma das passagens mais emocionantes foi quando ela e sua barrigona sentam no túmulo de sua mãe para falar o quanto ela está apavorada em ser mãe e criar filhos, e diz o quanto ela queria que Liz estivesse lá com ela.

Caroline é mãe, é âncora de telejornal, foi noiva não uma, mas duas vezes e teve o casamento de seus sonhos – mesmo que ele só tenha acontecido como parte de um plano para salvar o mundo. Em uma história em que todos seus pares imortais tornaram-se mortais, puderam envelhecer e morrer, Caroline, agora como dona da escola de magia para crianças sobrenaturais, mostra que ser imortal não é viver uma existência cheia de caos por puro tédio, mas sim ser guardiã de uma causa, de uma missão, de poderes e conhecimentos.

#plena

Acredito que o fim de The Vampire Diaries representa o fim dessa longa era de histórias de vampiros humanizados, abrindo espaço para novas representações de vampiros como em The Strain e Van Helsing. E se The Vampire Diaries seja um dos capítulos finais dessa fase – afinal, ainda temos The Originals no ar – temos que agradecer pela construção de Caroline e por ressignificar a imortalidade, que não é uma condenação para aqueles que têm maturidade para aceitá-la.

[Imagens: CW/Divulgação e Tumblr]