Em The Fall, Stella Gibson não é flor que se cheire quando não quer ser cheirada | Spoilers

Em The Fall, Stella Gibson não é flor que se cheire quando não quer ser cheirada

2014 foi uma ano de fortes personagens femininas na televisão, mas nenhuma tão incrivelmente badass quanto Stella Gibson, de The Fall, série da BBC que estreia sua segunda temporada dia 16 de fevereiro na Netflix.

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Apesar de ser uma série sobre crimes, The Fall, em seus dez episódios (4 na primeira temporada e 6 na segunda), foca nas pessoas, do assassino Paul Spector às vítimas mulheres do serial killer. Graças a isso consegue criar personagens complexas, sejam elas femininas ou masculinas. Mas é a Stella de Gillian Anderson que eleva a série e a faz se diferenciar entre tantas outras histórias de detetives atrás de assassinos que atacam mulheres.

Gibson é uma detetive superintendente, enviada para Belfast para investigar o assassinato de Alice Monroe. É ela que acaba linkando outras mortes ao serial killer e desmascara seu padrão. Mas além da competência profissional, ela já chega acabando com qualquer tipo de padrão que você possa querer atribuir a ela logo no primeiro episódio. Depois de ser inteligente, prestar atenção a detalhes e notar singularidades que ninguém mais notou, ao sair de uma cena crime ela é uma pessoa que pára o carro porque viu um policial bonitinho e sem mais delongas convida-o para ir visitá-la em seu hotel. Ela não está lá para formar laços e sim para trabalhar, mas quem é que não precisa de uma distração no fim de tarde?

Stella não é fria e calculista, aquele tipo de mulher muito retratado na televisão que só pensa em trabalho (porque ainda não encontrou o amor!), ou uma vilã que só quer usar os outros, ou uma hot mess que dorme com homens para esquecer algum drama antigo. Como eu disse, qualquer tipo de padrão que você queira atribuir a ela não cabe, então desista. Ela é extremamente sensível – um lado dela que pode não aparecer no contato com interesses amorosos (que estão mais para fuck-buddies), mas que fica em evidência sempre que ela tenta entender a dor das vítimas dos crimes que investiga.

Ah, ela chora? Então é isso, ela é sentimental! Também não. Ela é calculista quando quer ser. Em diversas situações durante a série, Stella tenta chamar a atenção do serial killer por meio de detalhes, por saber que ele deve estar seguindo-a, e para que ele venha até ela e não o contrário. Algumas situações dão certo, outras não, outras só saem completamente fora do que era esperado. Ela não só consegue o que quer, mas faz isso sem ter que usar da sua feminilidade ou sexualidade, em uma história que tem a feminilidade ou sexualidade feminina como foco principal, por meio das vítimas do serial killer. Stella é inteligente e não é masculina, ela é feminina e não é vulgar, ela é pegadora e não é dada, e além de tudo, não é flor que se cheire quando não quer ser cheirada.

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Se você entrar no quarto dela munido de segundas intenções e ignorar que ela não está afim, não ache que ela vai simplesmente aceitar ou tentar racionalizar. Não! Ela vai te parar custe o que custar e te lembrar que ignorar sua recusa faz com que você não seja tão diferente do serial killer abominável que eles estão caçando, after all.

The Fall tem inúmeras qualidades, mas é ao dar o cargo de protagonista para uma mulher que foge de todos os estereótipos que ela se torna uma série imperdível. Forte e fraca ao mesmo tempo, decidida e confusa, calculista e sentimental, a personagem é alguém que não pode ser descrita com apenas um adjetivo – assim como as vítimas do assassino, que em muitas outras séries seriam silenciadas na história, e assim como eu e você.

[Crédito das imagens? Reprodução/BBC]