Recorrendo às minhas séries para descobrir que presentes dar de Natal | Spoilers

Recorrendo às minhas séries para descobrir que presentes dar de Natal

Fiona-Retrato2Diário, eu estou com um problema: o Natal está quase aí, e eu ainda não sei o que dar de presente para o meu querido assistente Andreas. Ele me ajudou muito esse ano, desde me confortar quando o meu (ex-?)marido Klaus e eu nos separamos, ou quando eu entrei no mundo dos aplicativos. Ele também estava lá em outros momentos mais corriqueiros do dia a dia, como me ajudar a descobrir qual das minhas arqui-inimigas tentou botar fogo no meu ateliê (foi a Alexandra Klum, a víbora que não tem nenhuma relação com a Heidi mesmo ela querendo fazer as pessoas acreditarem que sim). Esse ano eu decidi ser mais sincera e uma verdadeira amiga, e pensei em dar ao Andreas algo que sugira que o cabelo dele talvez precise de um novo corte, ou que ser sueco é muito “três anos atrás” e ele poderia trocar sua identidade para uma nacionalidade mais moderna, como Cuba, que recentemente voltou a ter relações diplomáticas com os Estados Unidos numa tentativa óbvia e desesperada de conseguir uma visita da Téa Leoni como a Secretária de Estado em Madam Secretary. Mas longe de mim culpar o país, alguém não faria o mesmo?

O meu primeiro instinto foi, claro, recorrer ao newsletter que a minha diva suprema, Gwyneth Paltrow, lançou através do goop, o seu maravilhoso site. O guia de presentes dela esse ano promete tentar manter a maioria das opções abaixo de $100 dólares, mas como ela sabia que eu ia ler, a Gwyneth já fez com que o primeiro item da lista fosse uma carteira da Barney’s que custa $285. Ela sabe que eu não compro nada que qualquer criança com algumas moedas poderia ter também, e mais uma vez me senti tocada pela sua sagacidade sempre confiável. Mas dessa vez, eu queria algo diferente, e talvez por conta do meu novo cargo como Crítica e Autoridade Cultural, eu senti que a resposta podia ser encontrada no tema principal das minhas colunas: as séries.

Como vocês já devem ter percebido, eu sou totalmente pró mudanças políticas e sociais com base em situações que acontecem sempre que atores e atrizes de prestígio decidem se engajar socialmente. De que outra forma saberíamos que cozinhar metanfetamina seria um negócio rentável que rende Emmys, como Breaking Bad nos mostrou? Como saberíamos que políticos podem jogar quem eles quiserem na frente de transportes públicos e sair impunes por isso se não fosse por House of Cards? E como saberíamos que ir para a cadeia pode ser um processo divertido de autodescoberta se não fosse por Orange is The New Black?

Eu decidi recorrer às séries para procurar respostas, e comecei com Marco Polo, a nova série do Netflix na qual Marco, que é muito bonito, vai para a China medieval resolver intrigas na corte real do Imperador Khan. A série não me ajudou muito, porque nos primeiros episódios tudo o que eu conseguia ver eram paisagens áridas e pessoas usando roupas de artesanato local, que para mim é o maior faux-pas que uma série ou filme pode fazer. Me deem personagens de jeans, mas nenhum com artesanato, por favor. Marco Polo começa de forma meio lenta. Às vezes eu sentia que a própria série estava entediada com ela mesma, como se o pessoal que a faz estivesse ocupado vendo recados nos celulares e não havia ninguém por perto para dizer que as histórias estão todas à toa e ninguém está explicando nada ao espectador. Mas eu tenho fé que vai melhorar. Eu adoro séries passadas em locais exóticos e distantes, como a China ou Las Vegas (eu assistia C.S.I. religiosamente) porque nos dá a oportunidade de conhecer culturas novas e distintas.

Depois de Marco Polo não me ter dado nenhuma resposta, eu comecei a assistir The Fall, a profunda e atmosférica série com a Gillian Anderson e o Jamie Dornan. Os dois são bonitos em um nível que ambos poderiam ser processados e condenados em tribunal por isso, e é assim que eu gosto dos meus suspenses. A premissa da série envolve a detetive interpretada pela Gillian tentando caçar o assassino interpretado pelo Jamie. Vou ser honesta agora: com abdominais como os que ele tem, quem não o gostaria de caçar para si? O fato do Jamie ser psicopata é apenas um detalhe. O meu ex-marido Klaus, por exemplo, tinha o hábito terrível de ler livros no seu tempo livre. Todo mundo tem que aturar alguma coisa meio estranha na sua relação, faz parte. De qualquer forma, isso me trouxe a questão de que talvez caçar modelos pode ser uma solução de presente criativo. Há uns meses atrás a minha querida amiga Lavínia LaVoss, que é uma mulher de verdade, me disse que foi a uma reserva natural onde se podia interagir e inclusive alimentar os homens musculosos que habitavam ali na natureza. Todos eles eram modelos da Calvin Klein e, segundo ela, eram prova viva da existência de Deus. Foi quando uma luz surgiu em cima de mim e um coro angelical começou a tocar em perfeita sincronia: talvez eu dê um ingresso para um desses tours ao Andreas! Eu sabia que ia encontrar a minha resposta! Obrigado, The Fall!

O Natal é uma data festiva que geralmente envolve reuniões familiares, e no meu caso não é diferente. A Mansão fica cheia da minha família estendida, e por longos períodos de tempo ninguém fala entre si pois todos estão se medindo com o olhar e procurando defeitos mentalmente para ficar criticando durante todo o próximo ano. Exceto a minha prima Georgette, que é considerada “o alvo fácil”, então está desclassificada. Esse ano eu talvez faça uma nova reunião, mas vou ter que instalar novas trancas na adega pois eu não quero que a minha mãe Vendela Aschenbach faça como no ano passado e me dê a mesma desculpa seis vezes durante a noite de que ela precisa ir ao banheiro por conta dos laxativos que ela tomou. A minha mãe pode ser divina, mas a minha adega é sagrada. Eu sei que ela vai roubar as minhas garrafas.

Esta época é também quando eu também começo a pensar em tudo o que aconteceu durante o ano, as coisas boas, as coisas ruins, os tradicionais 75% dos funcionários que demiti e as séries que assisti. Foram muitas, e apesar de ainda sentir que algumas eram tão arrastadas que mesmo tendo terminado temporariamente eu sinto que elas ainda me assombram, como Scandal, eu fico feliz por ter passado pela experiências de as assistir. Nesse Natal, tudo o que eu quero é ter certeza que terei mais experiências como essa, apenas para reclamar delas como uma sobrevivente que viu horrores e sobreviveu para contar. Apenas isso que tornaria o meu Natal ainda mais feliz.

XOXO

“Marco, você é visualmente agradável mas, por favor, nada de artesanato local, eu imploro”


[Crédito da imagem: Divulgação/Netflix]