Queen Sugar e uma família para se importar | Spoilers

Queen Sugar e uma família para se importar

Talvez você já tenha escutado de vários membros do Spoilers que eles largaram uma série porque “não se importam mais com aquelas pessoas”. Quando se trata de séries de família, então, o fator “se importar” ganha um peso monstruoso para conseguir nossa audiência. Ao mesmo tempo em que é o imã que nos atrai até pessoas, importar-se com os outros – reais ou fictícios – demanda energia e tempo que, nas séries, oferecemos apenas para aquelas histórias com as quais conseguimos formar uma verdadeira conexão.

Recentemente o canal OWN (Oprah Winfrey Network, da própria) lançou o drama familiar Queen Sugar, uma adaptação do romance de mesmo nome escrito por Natalie Baszlie, que já esteve entre os títulos recomendados no Clube do Livro da Oprah.

Queen Sugar é uma série sobre uma família negra do interior do Louisiana que se reúne para tocar a fazenda de cana-de-açúcar falida do pai após a sua morte. Para contar essa história, o OWN e a showrunner da série, Ava DuVernay – diretora reconhecida por seus filmes indie premiados em Sundance e no SXSW e por “Selma”, indicado ao Oscar – chamaram um time apenas de mulheres para dirigir os 13 episódios da primeira temporada. Sua principal função é fazer com que nós nos importemos de verdade com os personagens.

E quem são eles?

Vamos conhecer 3 irmãos: Charley (Dawn-Lyen Gardner, que fez pontas em algumas séries e é dubladora em Star Wars: The Clone Wars), Ralph Angel (Kofi Siriboe, de Awkward e do filme “Whiplash”) e Nova (Rutina Wesley, a Tara de True Blood), que se reúnem novamente no interior próximo à Nova Orleans após a morte do pai pegar todos de surpresa.

Até esse encontro, o piloto da série nos apresenta cada um individualmente. Nova é jornalista e a curandeira local de seu bairro, extremamente religiosa e supersticiosa. Ralph Angel acabou de sair da cadeia e cria com a ajuda de sua tia e seu pai o filho, Blue – interpretado por Ethan Hutchison, provavelmente o ator mirim mais carismático dos últimos tempos. Já a meia irmã Charley reside em Los Angeles com seu marido David, um superstar da NBA capitão de um time envolvido em um escândalo sexual.

Quando os três irmãos nos são apresentados, esperamos acompanhar uma família que, para ter gerado três filhos com destinos tão diferentes, só pode ser extremamente disfuncional. Porém no momento que os três se reúnem para tratar da emergência familiar percebemos que – para nossa sorte – encontramos uma família com laços, sintonia e um incrível senso de pertencimento e respeito a suas origens. O que nos presenteia com lindos e emocionantes momentos de conexão entre pais e filhos, entre irmãos, entre tios e sobrinhos.

Destaquei a equipe formada somente por diretoras no início do texto não só porque essa realidade de Queen Sugar é muito diferente da TV como um todo, onde mulheres dirigiram apenas 11% dos episódios de TV da última temporada. Mas porque fica claro que esse olhar feminino é fundamental para trazer para a tela os momentos de extrema delicadeza e afeto que revelam o laço visceral entre membros de uma família sem precisar que eles tenham relações tóxicas ou caiam em tropes clichês de distanciamento ou ciúmes. Há atrito entre os três irmãos, mas também há uma conexão profunda que vamos descobrir ao pouco na medida em que assistimos aos episódios de Queen Sugar.

Grande destaque da série é Blue, filho de Ralph Angel

Não assistimos a representações impossíveis de famílias que se expressam por meio de caricaturas emocionais que beiram o espetáculo, mas viramos observadores de relações realistas e delicadas, que nos convidam a formar uma conexão real com a família da série. Queen Sugar nos presenteia com uma família para nos importarmos porque nos apresenta uma família de verdade.

[Crédito das imagens: Divulgação/OWN]