The League não é sobre fantasy football | Spoilers

The League não é sobre fantasy football

Todo mundo sabe que quando amigos de longa data se reúnem, o QIC – ou “quoeficiente de inteligência coletiva” – cai na mesma proporção. Tudo é permitido, e poucas coisas se mantém sagradas para o grupo.

The League aborda a paixão por esportes em um grupo de amigos que usam o fanatismo como pretexto para se sacanearem cada vez mais, competindo entre si numa liga de fantasy football – uma espécie de Cartola FC para futebol americano.

Criada pelo casal Jeff e Jackie Schaffer (Seinfeld, Curb Your Enthusiasm, Eurotrip) a série pode parecer específica demais para o grande público – por ser mais direcionada ao público masculino, e por abordar um esporte que ainda está em ascensão no nosso país. Embora tudo isso seja verdade, o show é uma excelente pedida para quem curte séries de comédia, especialmente porque…

Não é sobre fantasy football

A cultura do futebol americano nos EUA é muito influente – e por ser um esporte bastante estratégico, os jogos de fantasia relacionados são bem populares entre os torcedores.

The League usa a premissa desse contexto esportivo – meses de dedicação a um time fictício – para criar situações e conflitos decorrentes nesse meio. Por isso, a série não é apenas sobre fantasy football, mas sobre um grupo de amigos e as posturas condenáveis assumidas durante seus encontros, incluindo aí insultos e ultrajes que ultrapassam o universo do “esporte de fantasia”. Cada temporada da série aborda uma temporada regular da Liga.

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Os protagonistas não são perfeitos

Os personagens principais de The League possuem personalidades defeituosas – e a expectativa a cada episódio é que cada nova falha supere a anterior. Eles são imaturos. Estão presos ao passado, à época em que se conheceram, usando o fantasy football como medida de julgamentos de valor, e os valores da adolescência como arma de humilhação e afirmação de superioridade supérflua em relação à sociedade.

Como no futebol daqui – que incita rivalidades e afeta julgamentos e atitudes de torcedores de times rivais – o comportamento dos protagonistas afeta as personagens secundárias da série: o linguajar sujo de Jenny e Kevin influencia na criação de seus filhos – um deles nomeado “Chalupa Batman” por eventos ocorridos durante a Liga; a dedicação de Ruxin em insultar seus amigos influencia no descaso que ele tem para com sua “esposa-troféu”; Pete se divorcia de sua noiva após ela interferir em sua rotina de jogar fantasy football; Taco é um junkie que vive pelo momento e pouco se importa com suas escolhas na Liga; Andre é bem sucedido, mas acaba sendo motivo de chacotas ao se desvalorizar pelo grupo de amigos que conhece há tanto tempo.

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Prova maior da imaturidade dos protagonistas é o troféu que disputam anualmente: o Shiva Bowl, batizado em homenagem a Shivakamini Somakadarkram, colega de colégio que se tornou “sagrada” para os membros da Liga como piada interna do grupo. Simbolicamente, porém, a ascensão de Shiva pouco tem a ver com suas origens indianas – na história, ela é uma das poucas que se tornou uma pessoa melhor fora do grupo, sendo uma das raras coisas que os membros da Liga respeitam: uma lembrança dos tempos em que se conheceram, e de onde suas mentes jamais saíram.

Grandes convidados

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Jeff Goldblum como pai de Ruxin

Ainda sobre o elenco de apoio, a série possui diversas participações especiais – entre eles vários jogadores e personalidades da NFL interpretando versões mais exageradas deles mesmos. São muitos os jogadores que pediram para aparecer, e ao longo da série podemos esperar mais participações especiais.

No que se refere a ótimos personagens, Rafi mereceria ser um motivo isolado para ver The League. É um dos personagens mais surtados da televisão desde Cosmo Kramer, conseguindo ser mais insano e constrangedor que os membros regulares da Liga.

É uma comédia semi-improvisada

Poucas comédias da atualidade são improvisadas. Os criadores de The League são conhecidos também por seu trabalho em Curb Your Enthusiasm, principal programa da atualidade que domina essa arte.

Todas as temporadas seguem a mesma estrutura: o sorteio de jogadores (o draft) no primeiro episódio de cada temporada, e a pós-temporada (playoffs) da Liga nos últimos episódios e season finale. Com essa estrutura básica e outras diretrizes para cada episódio determinadas, cabe aos atores improvisar a maioria dos diálogos em cena. Muitos dos elementos são resultados da vivência dos próprios atores, com novas piadas internas da equipe a cada novo episódio.

Renovada por mais DUAS temporadas

Assim como seu “irmão mais velho” It’s Always Sunny in Philadelphia, The League foi renovada por mais duas temporadas – a serem transmitidas no FXX, novo canal de comédia derivado do canal FX. O Netflix americano possui as 3 primeiras temporadas, e não duvidem se um dia a série surgir legendada em português pela internet.

Divulgação / FX

[Crédito das Imagens: Divulgação/FX]