Se você tivesse que indicar apenas um episódio de uma série, qual seria? | Spoilers

Se você tivesse que indicar apenas um episódio de uma série, qual seria?

Já parou para pensar qual é o episódio essencial daquela série que você tanto gosta? No Happy Hour desta semana, decidimos listar aqueles episódios que entregam os principais elementos que te fazem amar uma série, e que sempre vêm à sua cabeça quando você pensa nela. Fizemos a seguinte pergunta para os nossos colunistas: Se você tivesse que indicar apenas um episódio de uma série para alguém, qual seria?

Manuela Fonseca: Vincent and the Doctor, de Doctor Who

Quando se fala no “melhor episódio de Doctor Who“, 10 em cada 12 Doctors pessoas vão citar “Blink” como essencial, com todo o seu “wibbly wobbly timey wimey stuff”. E ok, “Blink” é muito bom mesmo, mas para mim nenhum episódio supera “Vincent and the Doctor”, da quinta temporada. Primeiro que é visualmente o episódio mais lindo da série, mostrando o mundo através dos olhos do pintor. Segundo, porque o Doctor resgata um Van Gogh totalmente deprimido e desacreditado da vida, levando-o para sua própria exposição no Museu D’Orsay durante os dias atuais e mostrando seu legado e impacto na arte. Vincent não apenas tem a chance de ver suas obras sendo apreciadas, mas também de ouvir que é considerado o mais popular e amado pintor de todos os tempos. E isso, minha gente, é Doctor Who para mim: a possibilidade de transformar vidas, a capacidade de te fazer chorar largado na frente da TV ao mesmo tempo em que sorri porque pqp, que cena mais linda.

*feelings*

Denis Pacheco: The Ghost is Seen, de Enlightened

“The Ghost is Seen” é o quinto episódio da segunda e última temporada de Enlightened. Foi escrito e estrelado pelo criador da série, Mike White, e em pouco mais de 20 minutos faz o que filmes, livros ou séries inteiras não fizeram: Conta uma história completa sobre solidão e esperança. O episódio apresenta um personagem paralelo que sempre se enxergou como um coadjuvante, tanto na série quanto na vida. O plot mostra o quanto ele se sentia ignorado enquanto seus colegas pareciam viver intensamente, e quebra isso apresentando uma saída romântica (que não tem nada de mágica), te fazendo chorar com os dois monólogos que abrem e encerram o episódio. Ambos sumarizam perfeitamente por que, na vida, todos nós sentimos a necessidade de sermos notados pelo outro. O mais importante é que não é necessário ter visto a série pra assistir esse capítulo, já que ele reflete a experiência universal de descobrir que, por mais sozinhos que a gente se sinta de vez em quando, não somos fantasmas e somos vistos.

Luiz Guilherme Moura: The Constant, de Lost

Faz mais de 10 anos que Lost estreou – e 5 que acabou – e até hoje a série é apontada como um ~marco~ na TV norte-americana da década passada. Para muitos, foi a primeira paixão verdadeira da TV, que te fazia ficar acordado madrugada adentro discutindo teorias sobre ursos polares, viagens no tempo e relações humanas. Ao longo do percurso de seis temporadas foram muitos altos e baixos, sem uma qualidade narrativa constante. Passamos por longos períodos de péssimos episódios filler, personagens esquecíveis (oi, Santoro!), e atores demitidos por causarem fora dos sets, impactando diretamente na trama. Mesmo com todas as memórias ruins que temos de Lost, não tem como negar: quando a série acertava, ela te derrubava da cadeira com uma força avassaladora. E isso, meus amigos, foi “The Constant“. Exibido na quarta temporada, ele causa arrepios até hoje por apresentar uma estrutura narrativa muito bem conduzida, aliada a uma enorme carga emocional provocada pela relação de dois dos personagens mais incríveis ever, enquanto contribuía para a trama principal – tudo isso com a fantástica trilha sonora do Michael Giacchino e muita viagem no tempo. É um episódio quase perfeito, com um começo, meio e fim muito bem desenhados, e que simboliza tudo aquilo que Lost fez de bom em algum momento. Não é só um dos melhores episódios da série, mas também um dos meus preferidos da vida.

Rafa Bauer: Bang, de Desperate Housewives

Quem perdeu alguém próximo para o suicídio sabe como é difícil lidar com sentimentos como frustração e impotência, ao lado da tristeza. É inevitável ter pensamentos como: “O que eu poderia ter feito para evitar isso?”, enquanto revisitamos momentos em que deveríamos ter lido os sinais e mudado o curso das coisas. O episódio “Bang”, da terceira temporada de Desperate Housewives, trata da inevitabilidade de algumas tragédias e me emocionou pra caramba quando assisti. E é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores da série (o melhor, na minha opinião). Ao final dele, Lynette sonha com Mary Alice, sua amiga que havia cometido suicídio anos antes, e analisa o que poderia ter feito para evitar o ato dela. Uma Mary Alice muito serena lhe diz: “Sweety, não podemos prevenir aquilo que não podemos prever!”. Lynette insiste: “Não havia nada que eu pudesse fazer?” “Você pode aproveitar este dia lindo. Temos tão poucos deles.”

Pirs: 15 Million Merits, de Black Mirror

Black Mirror, como já falei aqui, é uma minissérie britânica de ficção científica. “15 Million Merits” pode não ser o meu episódio favorito, mas é o exemplo perfeito do que Black Mirror representa. O episódio fala sobre um mundo futurista onde todo mundo passa a vida trabalhando e foge da rotina tediosa vendo pessoas sendo humilhadas em reality shows. Soa familiar? Neste episódio as críticas sociais – a essência de Black Mirror – são várias: como dinheiro não tem valor se você não “precisa gastar”, como tudo na TV é artificial e fabricado, e como todo mundo tem o seu preço.

E se você tivesse que indicar para um amigo apenas um episódio de alguma série, qual seria? Conta pra gente aqui nos comentários!

[Créditos das imagens: Reprodução/ABC/BBC/Channel 4/HBO]