Demolidor é série de super-herói com cara de drama de prestígio | Spoilers

Demolidor é série de super-herói com cara de drama de prestígio

Contém alguns spoilers bem leves da primeira temporada de Daredevil.

Na última sexta-feira, a Netflix lançou a tão esperada (por mim, pelo menos) série do Demolidor, o Homem Sem Medo da Marvel. No ano passado já havíamos falado sobre cinco motivos para aguardar ansiosamente por Daredevil/Demolidor, e a empolgação foi recompensada: a série é ótima!

O clima hostil e sombrio presente nas histórias mais clássicas do Demolidor nos quadrinhos foi trazido da melhor maneira possível para a série, com produção cinematográfica proporcionada pela fórmula (Marvel + Disney) + só 13 episódios em vez dos mais de 20 por temporada habituais de séries de TV.

Começando com o primeiro de vários flashbacks bem dosados e nada desnecessários da série, nós vemos a origem do Demolidor, com Matt Murdock ainda com 9 anos de idade sofrendo o acidente que o cegou e ampliou sobre-humanamente seus outros sentidos. Mas, sem enrolação, logo vamos para o presente conhecer a versão adulta do herói, vivido pelo competente Charlie Cox, de Boardwalk Empire. Afinal, já não precisamos tanto assim de histórias de origem de super-heróis.

Todo o elenco está muito bem, desde o malandro Tucão até a complexa Karen Page de Deborah Ann Woll (a Jessica de True Bloood), mas um casal rouba todas as cenas: o vilão Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio excelente no papel) e a charmosa Vanessa (Ayelet Zurer, de filmes como Munique e Anjos e Demônios). As cenas protagonizadas por eles são hipnotizantes e é normal chegar a torcer para que eles terminem bem.

Fisk é o arqui-inimigo do Demolidor nos quadrinhos e a série da Netflix nos convence disso ao apresentar um personagem com nuances de personalidade, explicadas nos flashbacks do incrível episódio focado no personagem, “Sombras com reflexo” (episódio 8). Os planos do vilão sempre são atrapalhados pelo justiceiro cego, até culminar no aguardado embate da season finale.

Ver o Matt finalmente vestir seu uniforme definitivo, depois de tantos episódios olhando para o traje preto comprado na internet, é extremamente empolgante. Mesmo com um design que deixa a desejar, é quando ele surge com o uniforme que a transformação se completa e é possível realmente dizer que estamos olhando para o Demolidor.

Por outro lado, é difícil não se irritar com o subaproveitamento das personagens femininas. Em especial, a ótima Rosario Dawson, que interpreta a enfermeira Claire Temple, grande aliada do Demolidor, e só aparece em 5 dos 13 episódios da série. Você cria uma personagem interessante e com potencial, dá o papel para uma atriz do porte de Rosario Dawson, e faz… isso? Melhorem, Marvel e Netflix.

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Ainda assim, Demolidor cumpre o que promete: adapta a história do personagem dos quadrinhos com clima noir, sofrimento, sangue, ótimas cenas de ação (ei, sequência que encerra o episódio 2, eu tô olhando para você!) e direção e roteiros de qualidade, graças à equipe liderada pelo showrunner Steven S. DeKnight (de Spartacus) e pelo criador Drew Goddard (de Lost e Alias).

Mesmo com um final redondinho para uma estreia mais do que satisfatória, ainda temos algumas pontas soltas, que indicam que existem planos para uma segunda temporada. Espero estar certo, mas, por agora, que venha A.K.A. Jessica Jones!

[Crédito das Imagens: Reprodução/Netflix]