Hora de dar atenção aos animes | Spoilers

Hora de dar atenção aos animes

Com o final de várias temporadas das nossas séries favoritas, o verão americano vem com poucas estréias e novidades esparsas. Mas em outro ponto do hemisfério norte, um pequeno país ilhado do resto do planeta usa seu verão para lançar diversas novas séries, os chamados animes. No Japão, os animes são parte integral de uma programação televisiva rica em diversidade.

Para nós no Brasil, os personagens desenhados com grandes olhos e expressividade maior ainda não são nada estranhos. Desde Zillion, passando por Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Dragon Ball, até a estreia de Pokemon no final dos anos 1990, no mínimo três gerações já estão mais do que familiarizadas com os animes.

Mas além das franquias mais populares, novos enredos desembarcam ano após ano e podem preencher o espaço vazio em nossa grade de programação. Se para você animes são memórias de um passado que não volta, talvez seja a hora de reconsiderar seu ponto de vista e abraçar esse gênero tão popular. Elaboramos uma lista de cinco motivos que podem te convencer:

Cowboy Bebop

Cowboy Bebop

1) Animes não são feitos apenas para crianças

Ainda que o ponto de entrada para animações seja a infância, sabemos mais do que ninguém que desenhos animados não precisam ser exclusivamente “coisa de criança”. Vivemos numa época em que Adventure Time enche os olhos de crianças e adultos acumulando a cada episódio duplos sentidos que satisfazem ambos os públicos. No caso das animações japonesas, os infantis são uma parcela importante das estreias, mas estão longe de dominarem o mercado. Com quase uma centena de estúdios produzindo animes atualmente, são muitos os públicos abarcados, incluindo aí uma gama de faixas etárias, gêneros e  orientações sexuais.

2) Existem muitos gêneros de animes

Assim como existem muitos gêneros na ficção, os animes refletem uma imensidão de possibilidades de histórias a serem contadas. Colegiais com super-poderes (magical girls), robôs gigantes (mechas) e animais antropomorfizados (fantasia) estão entre alguns dos mais populares, mas não representam o todo da produção. A ação, romance, comédia e o drama em animes podem acontecer em cidades pequenas, num departamento de polícia, numa sala de aula ou numa mesa de ping-pong. São mais de 40 gêneros, alguns bem específicos e adultos (como os yaoi ou os yuri, cuja trama central envolve relacionamentos homossexuais), que muitas vezes se misturam para compor tramas imprevisíveis e de encher os olhos.

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One Week Friends

3) As temporadas variam em tamanho e podem ser curtinhas

Mas como vou ter tempo para assistir uma média de 200 episódios de algo como Hunter x Hunter ou One Piece num intervalo de três meses até minhas séries voltarem? Não vai. E nem por isso precisa deixar os animes longos de lado. Existem arcos que podem ser acompanhados e que se fecham sem que você precise assistir toda uma série. Mesmo assim, são muitos os tipos de temporada (ou mesmo o conceito de temporada) na produção de animes. Diversas séries contêm um número limitado de episódios e, muitas vezes, esse número é pequeno. Em quase todos os casos a história se fecha em 12, 13 ou no máximo 27 episódios de 20 minutos. Tramas adultas, em especial, contém histórias concisas que podem ou não render um longa metragem após seu encerramento. Vai depender do sucesso de público ou da intenção original do estúdio. No geral, a maioria dos animes lançados no verão contém um número pequeno de episódios, pode render uma média de duas temporadas ou agrupar duas “fases” dentro de uma única temporada curta.

Gurren Lagann

Gurren Lagann

4) Temos cada vez mais serviços de streaming

Foi-se o tempo de que dependíamos da saudosa Rede Manchete para assistirmos aos episódios que já haviam sido transmitidos anos antes no Japão. Com o avanço dos serviços de streaming, episódios que foram ao ar horas atrás do outro lado do mundo podem ser legendados (ou até dublados) e disponibilizados no dia seguinte, tudo pelo custo de uma mensalidade razoável.

No Brasil, contamos com o site especializado Crunchyroll, que acompanha as estações japonesas para lançar novos animes. Além dele, serviços como Crackle, Vivo Play e Netflix também possuem animes completos em streamings oficiais.

Não por acaso, agora em julho, o Netflix lança seu primeiro anime em território ocidental. Transmitido originalmente no Japão entre abril e junho deste ano, Knights of Sidonia é baseado no mangá de Tsutomu Nihei, com uma trama que se passa 1.000 anos no futuro, girando em torno do jovem Nagate Tanikaze, a esperança da humanidade numa guerra para evitar a extinção após a destruição da Terra. Os 12 episódios serão disponibilizados ao mesmo tempo, com legendas e dublagem em português.

knightsofsidonia

Knights of Sidonia

5) Animes podem ampliar nossa visão de mundo

Assim como livros, filmes e séries produzidos no Brasil ou em qualquer parte do planeta, produtos culturais tem o poder de ampliar horizontes dos que os consomem. Animes são uma parcela pequena, mas significativa, do universo cultural japonês que muitos de nós não podemos vivenciar localmente. Eles representam ideias sobre cotidiano, crenças e comportamento que por diversas vezes podem nos parecer estranhas, mas que, sob um olhar atento, refletem muito do que nos une enquanto seres humanos. Assim como nós, os personagens de animes tem seu jeito de encarar o amor, conflitos ou a própria vida – com eles podemos nos identificar e até mesmo aprender novas formas de se enxergar o mundo ao nosso redor.

Gankutsuou

Gankutsuou

Para os que querem começar e não sabem por onde, o Spoilers vai pontualmente cobrir o universo dos animes, sugerindo novas entradas para aqueles que nem sempre consideraram as animações como uma opção interessante de entretenimento. Fique ligado!

[Crédito das Imagens:  Reprodução/Netflix/TV Tokyo/Tokyo MX/Gainax/Gonzo]