A ficção científica palatável de 12 Monkeys | Spoilers

A ficção científica palatável de 12 Monkeys

O ano é 2015.

Vamos supor que você trabalhe no bar de um hotel qualquer. Todos os dias, há duas semanas, uma mulher loira e muito bonita vem ao bar e, papo vai, papo vem, você finalmente pergunta: “esperando alguém?”. “Estou”, responde ela, “um homem que me sequestrou dois anos atrás; ele me falou que em 2017 o mundo vai ser atacado por uma praga apocalíptica e que eu, médica virologista, sou uma das chaves para impedir que isso aconteça. Depois ele desapareceu no ar, pedindo que eu o esperasse aqui, risos”.

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“Você está dois anos atrasado, Cole”

Esta resposta não aconteceu na série, mas resume bem o que rolou no piloto da nova ficção científica do SyFy, 12 Monkeys. Inspirada no filme homônimo do Terry Gilliam – aquele, com Brad Pitt, Bruce Willis e muito hospício –, a série acompanha James Cole, enviado de 2043 para cá, na tentativa de impedir que o vírus que matará sete bilhões de pessoas seja lançado. O grupo de pessoas que o apoia no futuro tem em mãos uma gravação feita pela doutora Cassandra Reily, cheia de pistas cruciais ao impedimento do fim do mundo.

Os atores Aaron Stanford e Amanda Schull (Cole e Railly, respectivamente) revelam bastante eficácia em seus papéis: ele traz nos olhos a urgência de quem se perde no tempo para salvar o mundo (!) e ela atua a coragem de uma mulher que precisa acreditar num maluco que se diz do futuro, logo pagando de louca para a sociedade.

12 Monkeys abusa da viagem no tempo, o que não é um problema at all se você curte paradoxos – há um prato cheio deles, aqui. Apostando numa estética diferente do filme que a inspirou – mais clean, mais cenas de fuga e mais linear na construção de paradoxos, se é que isso é possível – a série acaba se assemelhando mais com Exterminador do Futuro, com o adendo de James Cole ter as mesmas iniciais de John Connor – será que existe um trope que defina que o salvador que cai dos céus no tempo presente precise ter as mesma iniciais de Jesus Cristo? (inclusive um abraço no Denis que me apresentou aos “tropes” nesse post de Looking)

12 Monkeys - Pilot

James Cole

Aos carentes de uma ficção científica palatável – volte logo, Orphan Black12 Monkeys chega na hora com boas cenas de ação, personagens que voltarão para assombrar os protagonistas, cliffhangers chocantes e muita, muita viagem no tempo. Lançando regras que montam uma mitologia própria (nunca junte dois objetos iguais de tempos diferentes; não se diz “viagem no tempo”, se diz “fragmentação”; Cole desaparecendo em momentos-chave), a série convida a brincar de detetive, montar um painel no quarto e (tentar) refazer a linha temporal inventada.

Qual será o mistério por trás do Exército dos Doze Macacos?

(Ah sim: o piloto conta com a atuação do awesome Zeljko Ivanek. Não há mais o que dizer além disso).

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[Crédito das imagens: Reprodução e Divulgação/SyFy]