5 ideias nascidas do baixo orçamento que definiram séries | Spoilers

5 ideias nascidas do baixo orçamento que definiram séries

Escrever para televisão não é um negócio fácil. Frequentemente, os criadores entram na sala de executivos com uma épica batalha espacial em mente e saem com dinheiro suficiente para uma briga de facas de pão num bar. Mas nada que um pouquinho de fita adesiva e um tanto de criatividade não resolvam. Vamos listar algumas das melhores ideias nascidas da necessidade e como elas definiram séries inteiras.

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5. Sessões de terapia em Hannibal

Se você acompanhou a primeira temporada de Hannibal, já sabe qual é a melhor coisa da série: as longas conversas entre Will Graham e seu psicólogo canibal (ou entre Hannibal e qualquer um, na verdade). Mas a primeira versão da série não tinha muito espaço para isso. A NBC encomendou a Brian Fuller um procedural tradicional, construído em torno de cenas de crime e investigação. Nesse caso, o baixo orçamento ajudou: a série que a emissora queria custaria muito caro e ninguém estava muito disposto a abrir o bolso. Assim, Fuller pôde focar nas relações entre personagens e no horror psicológico, optando pela maneira mais fácil e barata de se abordar uma série repleta de psicólogos: colocando duas pessoas numa sala para conversar. Ainda bem.

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4. A quarta temporada de Supernatural

Em algum momento da história da TV, Supernatural era a joia subestimada na programação da CW. Com os dois pés no território de Buffy, a série cresceu e se tornou um laboratório de experimentações de drama e comédia, acompanhando as desventuras dos irmãos Winchester. Desde o início, o criador Eric Kripke tinha um objetivo em mente: o apocalipse. Por sugestão do  estúdio, a terceira temporada da série terminaria em uma guerra épica com os demônios. O que os executivos esqueceram é que guerra é um negócio caro. Antes do fim da temporada, o orçamento de Kripke foi drasticamente reduzido, com um bilhetinho escrito “se vira”.

Ao invés de se render, Kripke decidiu lutar suas batalhas na base do jeitinho. A quarta temporada se tornou mais intimista, focando na relação entre os irmãos e numa guerra grande demais para dois seres humanos, no melhor estilo hobbits em Mordor. Entre as manipulações de Ruby, a libertação de Lúcifer e os desígnios duvidosos de Castiel e seus anjos, algumas das melhores storylines da série surgiram nessa época.

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3. O teletransporte de Star Trek

Falar em baixo orçamento sem mencionar ficção científica é impossível. Star Trek tinha muito mais ambições do que dinheiro para colocá-las na tela. Toda semana, a tripulação do Capitão Kirk alcançava novas regiões inexploradas, onde abundavam papelão, cola e celofane. Um dos muitos problemas dos produtores era como mostrar a Enterprise se aproximando desses mundos. O plano original de aterrissar a nave envolvia sets complexos e filmagem de miniaturas. A solução escolhida foi criar uma nave menor, mas, no início das filmagens, o modelo ainda não estava pronto. Assim, Gene Roddenberry decidiu simplificar o processo jogando os personagens do ponto A ao ponto B usando o mágico poder da edição, e daí nasceu o Transportador. O efeito era criado virando uma câmera slow-motion de cabeça pra baixo e filmando um punhado de pó de alumínio caindo sobre um fundo preto. Dois pra subir, Sr. Scott!

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2. Cylons humanoides em Battlestar Galactica

Quando Ronald D. Moore decidiu recriar a série, sua intenção era manter os Cylons reluzentes da década de 70 como inimigos. A questão era “como fazer um dublê usando armadura prateada funcionar na televisão?”. A resposta continua um mistério. O problema é que, se a indústria de armaduras prostéticas andava em baixa,  o mercado de robôs em CGI também não estava muito bem das pernas e a produção não tinha verba para inserir as torradeiras digitais em todos os episódios. A sugestão veio de um dos roteiristas: e se os Cylons fossem idênticos aos seres humanos? A partir dessa ideia, Moore começou a especular sobre o que levaria um robô criar uma versão orgânica de si mesmo à imagem e semelhança de seus criadores. Deve ter sido mais ou menos por aí que ele imaginou a Number Six de vestido vermelho e bateu o martelo.

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1. A cabine telefônica de Doctor Who

Doctor Who é o rei da gambiarra (o homem anda pra cima e pra baixo com uma chave de fenda!) e a série clássica inteira é uma aula de como fazer 26 temporadas com a verba de 5. A TARDIS não foge dessa regra: originalmente, a máquina do tempo maior por dentro do que por fora teria uma aparência diferente para cada época em que estivesse. Obviamente, um programa educativo malvisto pelos executivos não teria dinheiro suficiente para tantos exteriores. Com fleuma britânica, o problema foi resolvido com uma linha de diálogo no piloto: “Não sei porque isso não funciona”. Mais tarde, o Quarto Doutor explicaria que a nave fora roubada, por isso a “conversão camaleônica” ainda não estava completa.

Conhece outra série que driblou baixo orçamento com boas ideias? Faltou alguma ideia digna do Sr. Dinheiro? Escreva nos comentários (mas sem exagerar nos caracteres, que a situação tá difícil)!

[Crédito das Imagens: Divulgação/NBC, Reprodução/CW, Reprodução/NBC, Divulgação/Syfy e Reprodução/BBC]